As meninas barqueiras

 S É R I E         F O T O G R Á F I C A 

Meninas Barqueiras

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Amigos,

Em novembro de 2013 viajei ao Marajó, Estado do Pará, um encontro que ponderou mais ainda em mim o sim e o não da vida…

Nas margens ou mesmo navegando nos rios Parauhaú, Pracaxi e outros do arquipélago, conheci um pouco da dura vida do povo marajoara e de suas crianças. Na pobreza sempre são as  crianças as que mais sofrem, mas, a pobreza nas pequenas cidades riberinhas, ainda que profunda, parece não ser desculpa para precindir-se da ternura e do desvelo com os filhos.

Nas minhas andanças pude constatar o grande esforço, digno de admiração, de homens, mulheres e crianças que dia a dia antes do raiar do sol trabalham no ciclo do açai, colhendo-o em finas e altíssimas palmeiras na mata, transportando-o por rios e negociando-o em alguns dos improvisados portos da região. Sem sombra de dúvida, a pesca e o açai são a base econômica  e alimentar da vida ribeirinha. Portanto, infelizmente, parece ser um ciclo econômico-social com dias contados, se levarmos em conta os atuais níveis de desmatamento da floresta, assoreamento e poluição dos rios. As cidades e comunidades da região não tem saneamento e o lixo das embarcações é diretamente jogado nos rios …

Entre essa gente respeitável também testemunhei a bravura sem lugar das Meninas Barqueiras que desde tenra idade adotam medidas desesperadas para a construção da pequena renda familiar. Elas arriscam-se remando em frágeis canoas para atracar navios, balsas em pleno movimento na correnteza funda e caudalosa dos rios. Nessas grandes embarcações elas vendem açai e camarão. Conversei com algumas destas Meninas Barqueiras,  crianças frágeis e belas, algumas com 5 ou 7 anos, pareciam encarar tudo como uma brincadeira …

Recordo que uma dessas meninas, em dado momento, desinibida, esqueceu de sua missão no interior do navio. Por um precioso e longo instante ela encarou-me enquanto fotogafava-a com uma expressão descansada e sincera, parecia ter consciência de que naquele instante fugidio era a si mesma o símbolo involuntário das virtudes e dos dramas marajoara.

Convivi também com crianças que não fosse a caridade cristã dos missionários da ong Anjo da Guarda menos chances teriam de fruir coisas básicas na vida, como, por exemplo, beber água potável…

As fotos acima, são apenas uma mostra de um enorme banco de imagens que levantei nesta primeira viagem que se Deus me permitir terá sua segunda parte.

Por derradeiro, meus agradecimentos às pessoas que no início de tudo, não temeram em dar informações preciosas sobre a região a um fotógrafo desconhecido. Os pequenos gestos desinteressados de cada um tornaram este trabalho possível, são elas…

–  ao médico Claudio Gibson, Cidade de Almerim;

–  a profa. Suelen Balieiro, Cidade de Breves;

– os missionários da Renovação Carismática Cristã Beto Bernardi, Renata Daiane, Jéssica Amorim, Johnatan Pereira, Maria Aparecida; ;

– o radialista Rubenil Miranda, Cidade de Breves;

– os meus guias locais Chico (em Belém) e Gustavo (em Breves) e

– a todas as pessoas que nas viagens de barco ou fora dele ajudaram-me com uma palavra amiga ou compartilharam seus infinitos saberes sobre as riquezas da floresta…

Nilson Soares

 

12 comentários

  1. André Luís Pereira disse:

    Fotos espetaculares. Muito obrigado pela inspiração meu irmão, um forte abraço!

  2. Iracy disse:

    Parabéns pela coragem! São belas imagens…

  3. Eline Tenorio disse:

    Sou Brevense,Marajoara e PARAENSE….Belissimo trabalho …Nilson Soares…Amo meu Para,meu Povo minha Terra…

  4. Nilson Soares disse:

    Andre, Iracy e Eliane,

    Obrigado pelo encorajamento, fico muito feliz que tenham apreciado, abs, NIlson

  5. Se me perguntarem qual é a maior riqueza do Brasil, vou pedir para que antes vejam suas fotos e responderei: seu povo. Adorei!

  6. Jeannette Garcia disse:

    Pelo “olhar fotográfico” do Nilson,as belezas da região de Marajó e seus personagens,mesmo retratando um Brasil-verdade.Belas fotos,amigo! Continue…

  7. Ilan Pellenberg disse:

    Oi, Nilson!
    Que satisfação enorme poder apreciar as fotos do seu recente trabalho! Fiquei especialmente tocado com a imagem do senhorzinho maltrapilho rezando de joelhos na igreja. E que trabalho fantástico de edição! Tô realmente encantando com o conjunto da obra. É com orgulho que acompanho seu desenvolvimento na fotografia, os aprimoramentos, o olhar mais apurado, a maturidade impressa nas imagens. Espero poder acompanhar por muitos e muitos anos os vários projetos que irá realizar.
    Grande abraço do seu amigo e admirador!

  8. Fábio Ribeiro Corrêa disse:

    Absolutamente fantástico.

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